Siempre presente, Jose Luis Moreno Ruiz, Rosa de Sanatorio


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23 Jul
23Jul

ROSA DE SANATORIO

Bajo la sensación del cloroformo
me hacen temblar con alarido interno,
la luz de acuario de un jardín moderno.
y el amarillo olor del yodoformo.

Cubista, futurista y estridente,
por el caos febril de la modorra
vuela la sensación, que al fin se borra,
verde mosca, zumbándome en la frente.

Pasa mis nervios, con gozoso frío,
el arco de lunático violín;
de un si bemol el transparente pío

tiembla en la luz acuaria del jardín,
y va mi barca por el ancho río
que divide un confín de otro confín. 

Ramón María del Valle-Inclán

En recuedo de mis noches de orvallo sobre las piedras antiguas del Berbes cuando afortunadamente solo tenia una radio y libros y esperaba ansiosamente ek programa que llenaba de poesia mis solitarias noches y me hacia volar sobre los tejados del barrio de pescadores de Vigo.

Una noche conto una anecdota muy graciosa sobre un plumilla elevado a director de periodico, cotizado en millones al año, que en la cafeteria hizo el siguiente comentario:

"Ahora que esta sonando mucho Fernando Pessoa podrias nombrarlo corresponsal en Lisboa"

Una de sus empleadas, obviamente mucho mas culta y preparada le replico:

"Pues con la misma podemos mandar a Hemingway a cubrir los Sanfermines"

Lo que ya daba una idea de en que manos estaban los panfletos que hoy dan por llamar periodicos


Supongo que este seria su poema favorito de Pessoa, con el alter ego de Álvaro de Campos 

ODE TRIUNFAL

 À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica Tenho febre e escrevo. 

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, 

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

 Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! 

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! 

Em fúria fora e dentro de mim, 

Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! 

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

 De vos ouvir demasiadamente de perto, 

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso De expressão de todas as minhas sensações,

 Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas! 

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical —Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força

 —Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro, Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas Só porque houve outrora e foram humanos 

Virgílio e Platão,E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem

,Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes, ~~

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando

,Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

 Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime! 

Ser completo como uma máquina!

Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo! Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto, 

Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento A todos os perfumes de óleos e calores e carvões 

Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável! 

Fraternidade com todas as dinâmicas!

Promíscua fúria de ser parte-agente

Do rodar férreo e cosmopolita

Dos comboios estrénuos,

Da faina transportadora-de-cargas dos navios

,Do giro lúbrico e lento dos guindastes,

Do tumulto disciplinado das fábricas,

E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!

 Horas europeias, produtoras, entaladas

Entre maquinismos e afazeres úteis!

Grandes cidades paradas nos cafés,

Nos cafés — oásis de inutilidades ruidosas

Onde se cristalizam e se precipitam

Os rumores e os gestos do Útil

E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!

Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!

Novos entusiasmos de estatura do Momento!

Quilhas de chapas de ferro sorrindo encostadas às docas,

Ou a seco, erguidas, nos planos-inclinados dos portos!Actividade internacional, transatlântica, 

Canadian-Pacific!

Luzes e febris perdas de tempo nos bares, nos hotéis,

Nos Longchamps e nos Derbies e nos Ascots,

E Piccadillies e Avenues de L’Opéra que entram

Pela minh’alma dentro! 

Hé-lá as ruas, hé-lá as praças, hé-lá-hô la foule!

Tudo o que passa, tudo o que pára às montras!

Comerciantes; vários; escrocs exageradamente bem-vestidos;

Membros evidentes de clubes aristocráticos;

Esquálidas figuras dúbias; chefes de família vagamente felizes E paternais até na corrente de oiro que atravessa o colete 

De algibeira a algibeira! Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!

 Presença demasiadamente acentuada das cocotes 

Banalidade interessante (e quem sabe o quê por dentro?)

 Das burguesinhas, mãe e filha geralmente, 

Que andam na rua com um fim qualquer; 

A graça feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;

 E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra E afinal tem alma lá dentro!

 (Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!) A maravilhosa beleza das corrupções políticas, 

Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos, Agressões políticas nas ruas, 

E de vez em quando o cometa dum regicídio Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana! 

Notícias desmentidas dos jornais, 

Artigos políticos insinceramente sinceros, 

Notícias passez à-la-caisse, grandes crimes

 — Duas colunas deles passando para a segunda página!

 O cheiro fresco a tinta de tipografia!

Os cartazes postos há pouco, molhados! 

Vients-de-paraître amarelos como uma cinta branca! Como eu vos amo a todos, a todos, a todos, 

Como eu vos amo de todas as maneiras, 

Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!)

 E com a inteligência como uma antena que fazeis vibrar! 

Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós!

 Adubos, debulhadoras a vapor, progressos da agricultura! Química agrícola, e o comércio quase uma ciência! 

Ó mostruários dos caixeiros-viajantes,

 Dos caixeiros-viajantes, cavaleiros-andantes da Indústria, Prolongamentos humanos das fábricas e dos calmos escritórios! 

Ó fazendas nas montras! Ó manequins! 

Ó últimos figurinos!

Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!

Olá grandes armazéns com várias secções!

Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!

Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem! 

Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos! Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos! Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos! Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera. 

Amo-vos carnivoramente.

Pervertidamente e enroscando a minha vista 

Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis, 

Ó coisas todas modernas, 

Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima 

Do sistema imediato do Universo! Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus! 

Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks, 

Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes 

— Na minha mente turbulenta e encandescida 

Possuo-vos como a uma mulher bela, 

Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama, 

Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.

 Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas! 

Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios! 

Eh-lá-hô recomposições ministeriais!

 Parlamentos, políticas, relatores de orçamentos,

 Orçamentos falsificados!

 (Um orçamento é tão natural como uma árvore

 E um parlamento tão belo como uma borboleta). 

Eh-lá o interesse por tudo na vida,

Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras

Até à noite ponte misteriosa entre os astros

E o mar antigo e solene, lavando as costas

E sendo misericordiosamente o mesmo 

Que era quando Platão era realmente Platão 

Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro, E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.

 Eu podia morrer triturado por um motor

 Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída. Atirem-me para dentro das fornalhas! 

Metam-me debaixo dos comboios! 

Espanquem-me a bordo de navios! 

Masoquismo através de maquinismos!

 Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho! 

Up-lá hô jockey que ganhaste o Derby, 

Morder entre dentes o teu cap de duas cores!

 (Ser tão alto que não pudesse entrar por nenhuma porta!

 Ah, olhar é em mim uma perversão sexual!)

 Eh-lá, eh-lá, eh-lá, catedrais!

 Deixai-me partir a cabeça de encontro às vossas esquinas.

 E ser levado da rua cheio de sangue

 Sem ninguém saber quem eu sou! 

Ó tramways, funiculares, metropolitanos, 

Roçai-vos por mim até ao espasmo!

 Hilla! hilla! hilla-hô! 

Dai-me gargalhadas em plena cara, 

Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas, 

Ó multidões quotidianas nem alegres nem tristes das ruas, 

Rio multicolor anónimo e onde eu me posso banhar como quereria!

 Ah, que vidas complexas, que coisas lá pelas casas de tudo isto!

 Ah, saber-lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,

 As dissensões domésticas, os deboches que não se suspeitam, 

Os pensamentos que cada um tem a sós consigo no seu quarto E os gestos que faz quando ninguém pode ver! 

Não saber tudo isto é ignorar tudo, ó raiva, 

Ó raiva que como uma febre e um cio e uma fome Me põe a magro o rosto e me agita às vezes as mãos 

Em crispações absurdas em pleno meio das turbas 

Nas ruas cheias de encontrões! Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,

 Que emprega palavrões como palavras usuais, 

Cujos filhos roubam às portas das mercearias 

E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! —Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.

A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa 

Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.

Maravilhosamente gente humana que vive como os cães

 Que está abaixo de todos os sistemas morais, 

Para quem nenhuma religião foi feita,

Nenhuma arte criada, 

Nenhuma política destinada para eles! 

Como eu vos amo a todos, porque sois assim, 

Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus, Inatingíveis por todos os progressos, 

Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida! 

(Na nora do quintal da minha casa

O burro anda à roda, anda à roda,

E o mistério do mundo é do tamanho disto.

Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.

A luz do sol abafa o silêncio das esferas

E havemos todos de morrer,Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,

Pinheirais onde a minha infância era outra coisa

Do que eu sou hoje...) 

Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!

Outra vez a obsessão movimentada dos ónibus.

E outra vez a fúria de estar indo ao mesmo tempo dentro de todos os comboios

De todas as partes do mundo,

De estar dizendo adeus de bordo de todos os navios, 

Que a estas horas estão levantando ferro ou afastando-se das docas. 

Ó ferro, ó aço, ó alumínio, ó chapas de ferro ondulado! 

Ó cais, ó portos, ó comboios, ó guindastes, ó rebocadores! 

Eh-lá grandes desastres de comboios! 

Eh-lá desabamentos de galerias de minas! 

Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos! 

Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,

 Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,

 Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim, 

A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa, 

E outro Sol no novo Horizonte!

 Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,

 Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,

 O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro, 

O Momento estridentemente ruidoso e mecânico, 

O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes 

Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais. 

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar, 

Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos, Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,

Engenhos brocas, máquinas rotativas! Eia! eia! eia! Eia electricidade, nervos doentes da Matéria! 

Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente! 

Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!

 Eia todo o passado dentro do presente! 

Eia todo o futuro já dentro de nós! eia! Eia! eia! eia!

 Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita! 

Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô! Nem sei que existo para dentro. 

Giro, rodeio, engenho-me. 

Engatam-me em todos os comboios. Içam-me em todos os cais. Giro dentro das hélices de todos os navios. 

Eia! eia-hô! eia! Eia! sou o calor mecânico e a electricidade! Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa! 

Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia! Galgar com tudo por cima de tudo!

 Hup-lá! Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá! Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o! Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z! 

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!  


                       Londres, 1914 — Junho. 


Quien me iba a decir aqueallas noches en que me acompañabas que acabaria lisobnenensse

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